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Blog de tressinocj
 


A couve-flor e o néscio de carteirinha.

 

Década de sessenta, ainda jovem: "eu não sou uma tesoura". 

Houvera lido algo a respeito de um novo, sei lá o quê, modo de pensar, refletir e agir.

Sartre suscita: "A existência precede a essência". 

O vasto mundo tremeu.

Restou-me dialogar com o desenxabido botão:

E os dualistas?

O que faço com Platão; Marx?

E o Cristianismo?

O que era aquilo? “Eu não sou uma couve-flor?”.

Naquela oportunidade, minhas façanhas não ultrapassavam os portais de futebol, sinuca e  inferninhos da zona do meretrício nos arredores de a Av. São João e Ipiranga. 

Não compreendia absolutamente nada de nada.

Todavia, como “as relações de afetos nos transformam?”.

No inesperado terceiro milênio: (o mundo findar-se-ia no segundo).

Steven Paul Jobs, morreu. 

Lembrei-me da foto: Jobs, segura uma maçã.

Sartre...Couve-flor; tesoura.

Jobs, maçã?

Bingo...

Ora, uma maçã é, e sempre será uma maçã.

O ser humano cria, moderniza, avança em saltos tecnológicos...

Coisas inimagináveis por aquela couve-flor. 

“A existência precede a essência”. 

Então é isso.

Há dúvidas, hein: Decartes; Descartes; René ou Rene?

Quanto a mim?

Nenhuma dúvida.

Continuo néscio de carteirinha!

 

 



Escrito por tressinocj às 10h59
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Grãos de areia

Grãos de areia

 

Até na praia, há quem reclame da areia;

Mas lá, prefiro cerveja em minha veia.

 

Não há em mim a necessidade de contestar os que reclamam da areia de praia.

Cada pessoa que se aflija com o grão que lhe é pertinente.

 

A areia de as minhas aflições, contêm inúmeros outros grãos.

A praia, freqüente, habita em mim os grãos apropositado ao incompreendido vitalismo.

 

Entrementes, aqueles grãos também incomodam o meu silêncio.

Sobejamente, tal o incômodo ante a alteridade.



Escrito por tressinocj às 00h51
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Leve tudo o que é meu

Leve tudo o que é meu;
Leve de mim o amor.
Não aflijas o peito teu!
Deixe comigo a dor:

Leve tudo o que é meu:
Pois que assim já não consigo
Ao ver nos braços contigo
Outro lábio junto ao teu.

Mas, não leve o todo meu:
Deixe comigo a lembrança...
Deixe comigo a esperança
De que nunca me esqueceu!



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/58484/1/Leve-tudo-o-que-e-meu/pagina1.html#ixzz1D594MOdL



Escrito por tressinocj às 09h14
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Acabrunhado

Sou assim: acabrunhado.

Acabrunhado ao beijar,

Acabrunhado ao lado

Do amor desejando amar.

 

Sou tal qual a tanta gente

Que em seu quarto, acabrunhado,

Resguarda-se o confidente

Pra não ser apunhalado...

 

Só não sou acabrunhado

Quando a ternura fugida

Num grito despedaçado

Cala em minha alma a ferida.

 



Escrito por tressinocj às 09h51
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Prova de mim

Quanto, na vida sofri?

Quando de mim sucumbiu?

Quanto pra ti eu sorri

E o amor de ti me fugiu.

 

Quanto, ainda penar...

Vida, dum desvio intenso.

Quanto, ainda por chorar...

A fuga dum amor pretenso.



Escrito por tressinocj às 00h54
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Tucunaré

Juntaram os seus petrechos:

Todos foram ao Rio pescar.

Quais serão esses desfechos?

Quantas linhas a se enrascar?

 

Tantos peixes há no Rio,

Que nem ceva é permissivo.

E o vau em desvario

É, desde há muito: nocivo!

 

Todavia, muito alarde...

Pra pescar alguns siris.

Tucunaré? Já vai tarde!

Peixe nobre? Lambaris!

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por tressinocj às 07h47
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Rima

Muita vez, penso escrever,

Longe dum texto rimado

E com o branco, antever,

A rica, alternada, ao lado.

 

Todavia o ritmo fala:

Sem métrica pé quebrado?

E a consoante não cala:

Todo verso tem seu brado!



Escrito por tressinocj às 09h16
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Xenofobia.

Cicio, abjeto, espalha:

 

Terror à diversidade!

 

Intolerante, retalha...

 

A paz de tão pouca idade.

 

 

Fere o senso democrático:

 

Não respeita o seu quintal...

 

E, no íntimo, o apático,

 

Reverbera a “lei” Feudal.

 

 

Hasteia, mente sequaz,

 

A bandeira, do infame!

 

E a desinformação traz:

 

Outra cor em seu ditame.

 

 

Mas a cor do brasileiro;

 

É a cor do “vasto-mundo”;

 

Pátria, cor do mundo inteiro;

 

Dum matiz de Amor profundo!

 



Escrito por tressinocj às 18h43
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Iconoclasta.

À memória de José Ângelo Gaiarsa.

 

Desde o cérebro infantil,

A incutir a quem virá;

Num choque nada sutil:

Como dantes não será!

 

E a surda hipocrisia,

Cai por terra exaurida.

Tal qual quando em poesia

Tange um verso a ferida.

 



Escrito por tressinocj às 16h32
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Não basta fugir.

"NÃO BASTA FUGIR. É PRECISO FUGIR NO BOM SENTIDO. FUGIR DO TÉDIO, DA FOME, DA GUERRA!... NÃO SE DEVE FUGIR EXCENTRICAMENTE. É PRECISO FUGIR CONCENTRICAMENTE. FUGIR O MUNDO, PARA PODER REINVENTÁ-LO UM DIA. QUEM SABE, MAIOR, MAIS VERDADEIRO, MAIS ESSENCIAL, MAIS JUSTO".

Sobre o autor:
Charles Ferdinand Ramuz (1878-1947) foi um romancista suíço de "expressão francesa". A importância de sua obra, que "torce o pescoço da sintaxe", é fazer da língua a ferramenta obediente que melhor servirá a vontade do artista. Volumes, cores e movimento dão um caráter pictórico e cinematográfico em suas obras.



Escrito por tressinocj às 23h20
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Reflexão.

"...CUIDADO COM OS QUE DIZEM QUE A ARTE NÃO DEVE PROPAGAR IDÉIAS POLÍTICAS. ELES SE REFEREM APENAS ÀS IDÉIAS POLÍTICAS CONTRÁRIAS ÀS SUAS...". Autor: Jorge Luis Borges (1899 — 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.



Escrito por tressinocj às 01h28
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Meu nome: José Carlos Tressino.

Desde os tempos de menino,

Eu confundo este préstimo;

Cuja grafia: Tressino,

Em dicção ouço: tréssino.

 

José? Pouca vez ouvia!

Carlos nem mamãe clamava!

Apelido? “Calo” havia:

E a puerícia então? Zombava!



Escrito por tressinocj às 02h49
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Impunidade

Douto? Excelência: vênia!

É o sentimento angustiado

É o senso insaciado,

Que o ser cidadão condena!

 

Dizem: “tudo vale a pena”;

Não suporto o concordar!

Tu, Justiça, tão pequena;

Em não ver alma a chorar!

 

Conluio! O que perseveras?

Abraças somente os teus?

Ora, excelência, deveras!

Primeiro aqui: Depois Deus!



Escrito por tressinocj às 08h11
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Fé.

Compartilhe a sua vida

E o bem que há em ti

Pra que a fé sobrevivida

Não dê espaço ao tititi.

 

Não há como escapar

Muita vez dum palrador;

Mesmo quando for orar,

Há na mente um falador.

 

A instrução: dentro do quarto,

E em secreto o que pede

É a maiêutica em seu parto

Cujo verbo se sucede.

 

O Divino está no ser

Não no modo de falar.

Basta então recrudescer:

Sinta o amor em respirar!



Escrito por tressinocj às 15h45
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Espírito.

Aonde vão os espíritos?

Eis a questão triunfal!

Não há como ser explícito.

Nem tampouco ser banal.

 

O mistério é tão profundo;

Só, convém imaginar:

Quisera haver outro mundo

Pra minha dor amainar.

 

Então, ando aqui rogando!

Como eu, um ser qualquer:

Quando vai fica vagando...

E, se vai, por que não quer?



Escrito por tressinocj às 21h54
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